22 outubro 2006

A parábola da Águia


Era uma vez um homem que caminhava pelo bosque. Encontrou uma cria de águia. Levou-a par casa e meteu-a na capoeira, ao lado dos frangos. Rapidamente, ela começou a comer a mesma comida dos frangos e a comportar-se como eles.
Um dia, um biólogo que passava por ali perguntou ao homem porque razão uma águia, a rainha de todas as aves, tinha de permanecer fechada na capoeira com as galinhas.
- Como lhe dei a mesma comida que aos frangos e a ensinei a ser como eles, nunca aprendeu a voar, respondeu o proprietário. Porta-se como os frangos e, por isso, não é uma águia.
- Apesar de tudo, disse o biólogo, tem coração de águia. Com certeza poderá aprender a voar.
Depois de discutir um pouco mais, os dois homens puseram-se de acordo em verificar se era possível que a águia voasse. O biólogo pegou nela suavemente e disse-lhe: “Tu pertences ao céu, não ao chão. Abre as asas e voa”. Mas a águia estava confusa. Não percebia o que este homem queria. E, ao ver os frangos a debicar no chão foi ter com eles. O biólogo não desanimou e no dia seguinte levou a águia para o telhado da casa e encorajou-a dizendo-lhe: “És uma águia, abre as asas e voa.” Mas a águia tinha muito medo e, mais uma vez, saltou para o chão, à procura da ração das galinhas.
O biólogo levantou-se cedo no terceiro dia, tirou a águia da capoeira e levou-a à montanha. Ali, levantou a rainha das aves e animou-a dizendo: “És uma águia, és uma águia e pertences tanto ao céu como à terra. Agora abre as asas e voa.” A águia olhou em redor, para a capoeira no vale e para cima, para o céu. Mas continuou sem voar. Então o biólogo virou-a directamente para o sol; a águia começou a tremer, a abrir lentamente as asas e, finalmente, com um grito triunfante, voou, afastando-se no céu. É possível que a águia recorde com saudade os frangos. Até é possível que, de vez em quando, volte a visitar a capoeira. Mas, que se saiba, nunca mais a águia voltou a viver como galinha.